Jesus era negro? Entenda a partir de uma perspectiva histórica

Por <b>Rodrigo Silva</b>

Por Rodrigo Silva

Arqueólogo

Há muitas dúvidas sobre a aparência de Jesus e muitos se perguntam se Jesus era negro, por conta das questões climáticas e calor intenso do oriente médio. Outros têm somente aquela imagem de um Jesus esbranquiçado, barba feita e olhos claros. Neste texto, abordaremos esse tema sob uma perspectiva histórica.

 

Jesus era negro?
Jesus é raramente apresentado nos moldes étnicos judeus. | Imagem: Pixabay.

A aparência de Jesus

A Bíblia não nos traz detalhes sobre a fisionomia e aparência de Jesus, por isso, os principais dados que podem nos fornecer uma ideia, são as informações de estudos arqueológicos e históricos a respeito dos judeus e do povo de Israel, tendo em vista que essa é a etnia de Jesus.

 

É muito comum pensarem que a igreja católica foi responsável por construir e trazer essa ideia de um Jesus “europeu”, advindo depois do Renascentismo, mas, na verdade, muito anterior a ela, ali no quarto e quinto século, já existiam imagens onde aparece um Jesus branco. E, essa construção, historicamente, não foi desenvolvida contra os negros, mas contra os judeus. Isso porque ser cristão era “não ser judeu”, criando uma separação e definindo bem o contraste. Dito isso, é importante destacar que etnicamente, judeus não são negros. Então, é um equívoco afirmar que Jesus era negro.

 

Ao longo da história, inspirações variadas influenciaram a construção da imagem de Jesus, incluindo inspirações em deuses como Dionísio, Hermes e Apolo, sendo que as mais antigas trazem aspectos de um Jesus mais jovem, destacando mais a sua humanidade e o representando de maneira menos cosmocrata.

 

Jesus também foi descrito e teve sua imagem construída como um “segundo Moisés”, destacado assim por dois filósofos judeus do primeiro século, conhecidos como Filo e Josefo. Outros já associaram a imagem de Jesus aos filósofos, devido aos seus ensinamentos, o que trouxe uma imagem de Jesus com uma barba grande, assim como era comum na aparência dos filósofos. E assim, em meio a tantos relatos históricos, com tendências culturais de cada época, obtemos muitas probabilidades não destacadas e abordadas pela Bíblia sobre a imagem de Jesus.

 

A imagem de Jesus construída pelo renascentismo

Durante o período do Renascimento, que se estendeu aproximadamente do século XIV ao XVII, houve uma mudança significativa na forma como Jesus Cristo era representado nas obras de arte. Antes desse período, a iconografia de Jesus era mais simbólica e divina, com traços que remetiam à realeza e à santidade. No entanto, com o Renascimento, os artistas passaram a retratar Jesus com traços mais humanos e realistas, enfatizando sua figura como homem divino.

 

A partir do século XV, em Florença, o artista italiano Giotto di Bondone deu início a uma nova maneira de representar Jesus. Giotto retratou Cristo com uma expressão mais humana, quebrando a rigidez das representações medievais. Outros artistas importantes do Renascimento que contribuíram para a nova forma de representar Jesus foram Leonardo da Vinci, Rafael Sanzio e Michelangelo Buonarroti.

 

Leonardo da Vinci retratou Jesus em sua obra “A Última Ceia”, na qual o Cristo é representado com traços mais suaves, expressão serena e cabelos longos e lisos. Rafael Sanzio retratou Jesus em diversas obras, como em “A Transfiguração”, na qual Cristo é representado em posição de glória, iluminado por uma luz divina. Michelangelo Buonarroti, por sua vez, esculpiu a imagem de Jesus em sua famosa obra “A Pietà”, em que Cristo é retratado em posição de descanso, após a crucificação.

 

Essas obras de arte influenciaram profundamente a concepção popular da aparência de Jesus, que passou a ser visto como um homem de cabelos longos e barba, com traços suaves e olhos penetrantes.

 

 

Jesus: O Filho de Deus, um judeu comum

Pode soar intrigante o aspecto da Bíblia destacar a aparências de tantos outros homens e se abster de trazer as características daquele que tem o maior destaque no enredo das Escrituras. Mas, podemos entender alguns bons motivos por trás disso, tendo em vista que Jesus foi um judeu comum, até seus 30 anos, e como Filho de Deus, até que se manifestasse em poder, ficou desapercebido enquanto vivia o dia a dia ordinário.

 

Assim como Jesus não buscou subverter os poderes humanos do Império que oprimia seu povo, faz muito sentido que sua aparência não tivesse destaque, não criasse holofotes e nem chamasse atenção. É importante destacar que Jesus não era um homem de pele clara, Ele tinha pele escura e aspectos judeus, com seus cabelos longos, tendo uma aparência comum a todos os homens da época.

 

Enquanto tomamos partido da aparência de Jesus, para que Ele pareça mais com estes e não com aqueles, nos distraímos visando algo em que Jesus não desejava ter destaque. E, nessa discussão, devemos ficar com o principal, que é o fato de Jesus ser etnicamente judeu, e sendo Deus-Homem, era um homem comum, humilde e obediente ao Pai, sendo reconhecido por isso.

 

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23 respostas

    1. Acredito que as aulas ainda estão sendo gravadas, conforme a explicação do Rodrigo Silva, que mencionou que não havia pressa. Nem todas as aulas foram gravadas, pois as pessoas que tiveram acesso desde o início receberam uma a duas aulas por semana.

    1. Olá, Arleth, tudo bem? As aulas novas são postadas semanalmente. Se você ainda tem acesso ao curso, não precisa renovar a assinatura por enquanto.

  1. Muito interessante os comentários do texto. Eu sempre quis saber sobre o verdadeiro semblante de Jesus Cristo. Tenho muita vontade de me batizar na igreja adventista, mas encontro resistência por parte do esposo.

  2. Esse é um pensamento que passa por nossa mente, e acho relevante pensarmos em um Jesus não europeiamente aparentado, até mesmo num tempo quando tanto se fala sobre racismo. Obrigada professor!

  3. Gostei muito! Não que seja minha preocupação, mas tenho amigos que sempre me questiona sobre esse assunto. Agora gicou mais fácil explicar. Muito obrigado! Deus te amo!

  4. Creio que, se a Bíblia nos trouxesse um descrição física de Jesus, poderia suscitar a idolatria. As várias ilustrações artísticas nos fazem imaginar ora que Jesus era mais moreno e ora que era mais claro; suas origens judaicas remetem nossos pensamentos à aparência de judeus da nossa época. Mas considero muito positivo para nossa fé, não termos um retrato fiel.

  5. Bom dia
    Gratidão a Deus por mas um aprendizado.
    Deus abençoe sempre sua vida, sua família e todos os seus sonhos e projetos.

  6. Realmente, Rodrigo Silva é top. Gostei da análise sobre Jesus. O que mais interessa, como ele diz, entre linhas, é aceitá-lo como nosso Salvador pessoal, seja Jesus pintado ao estilo europeu ou outras formas. Um dia, vou conhecer pessoalmente meu Salvador e aí saberei como Ele é, na aparência. Amo meu Jesus!

  7. Deus abençoe a sua vida Rodrigo. No momento não estou podendo fazer seu curso por motivos financeiros, mas pretendo fazer logo que estiver em condições. Sou uma seguidora assídua dos seus ensinos. Muito obrigada por todo o conhecimento.

  8. Amo aprender, eu quero cada dia avançar um pouco mais nas escrituras sagradas. Amo quem tem conhecimento mais profundo e principios verdadeiros do que fala e afirma. Ef. 4: 25.

  9. a paz pastor professor e conselheiro, então por mais que temos essa dúvida e muitas outras em assuntos bíblicos sem tanta importancia, devemos pensar na aparencia de Jesus no sentido espiritual aí a biblia diz qual era a cor dele, a cor dEle é a minha é a tua é a de quem olha no espelho e ve a imagem dele e não a nossa pq quando aceitamos Ele não vivemos mais mas Ele vive em nós. graça e paz a todos.

  10. A cor da da pele de Jesus não importa. Não podemos perder o foco dos seus ensinamentos. Isso é tudo. Agora é próprio do ser humano essa curiosidade. Nós o veremos quando lá chegarmos. Grata, Dr. Rodrigo

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