Adão realmente existiu?

Por <b>Rodrigo Silva</b>

Por Rodrigo Silva

Arqueólogo

A história de Adão, conforme descrita na Bíblia, pode parecer um tanto estranha ao senso comum. Afinal, não vemos nada no mundo real que lembre o ambiente edênico. No entanto, mesmo os melhores advogados não se aventurariam a acusar alguém de “mentiroso” apenas porque seu depoimento parece improvável. 

 

A história dos processos jurídicos está repleta de casos “estranhos” e “improváveis” que se mostraram verdadeiros. Da mesma forma, devemos avaliar a história de Adão com neutralidade, buscando evidências que possam apoiar ou refutar o relato bíblico.

adão

A importância das testemunhas

 

Nada valida um depoimento melhor do que testemunhas. Se outras pessoas viram ou ouviram o mesmo que o depoente, diminui-se quase a zero as chances de erro sistêmico. Mesmo que o relato seja estranho, ele ganha mérito lógico e pode ter ocorrido. Claro, duas pessoas nunca contam a mesma história exatamente da mesma forma. Existem contradições não essenciais que são aceitáveis, desde que o testemunho se harmonize nas bases que o sustentam.

 

 Testemunhas fora da Bíblia

 

Transferindo esses conceitos para o Gênesis, a pergunta que surge é: há testemunhas fora da Bíblia que confirmam o que Moisés descreveu? Se Adão realmente existiu, devem existir ecos de sua história em outros registros antigos. A busca por essas evidências nos leva às origens da civilização, até o ponto mais distante que a história escrita nos alcança – por volta do terceiro milênio antes de Cristo.

 

 A história da escrita

 

Os primeiros livros da humanidade surgiram nesse período, escritos num sistema pictográfico onde figuras representavam objetos. Evoluímos para traços ideográficos (representando ideias e conceitos) e finalmente para um sistema fonogramático, onde cada figura representava um som. A escrita era feita em argila úmida, depois seca ao sol ou em fornos, preservando os documentos por milênios. Esses caracteres, conhecidos como cuneiformes, foram registrados em diversos locais, especialmente na Mesopotâmia e no Egito, que rapidamente se desenvolveram após o Dilúvio.

 

Tabuletas cuneiformes e Adão

 

Milhares de tabuletas cuneiformes foram escavadas na antiga Mesopotâmia. Elas incluem recibos, cartas, leis, documentos de propriedade e listas genealógicas, algumas das quais trazem histórias tradicionais sobre os primórdios da humanidade. Qual não foi a surpresa dos arqueólogos ao perceberem que muitos desses registros trazem semelhanças acentuadas com os relatos bíblicos. Uma extraordinária coincidência foi observada nos nomes dos primeiros ancestrais da humanidade: Adam, Adime, Adapa, Alulim, Alorus, Anim, Admuci, etc.

 

 A semelhança fonética

 

Note que a forma hebraica ‘Adam’ se encaixa naturalmente em todas essas variações. A semelhança fonética é evidente, como no caso de um homem chamado João, que os alemães chamam de Johann, os ingleses de John, os espanhóis de Juan e os franceses de Jean. Apesar das diferenças linguísticas, há uma raiz temática comum. Na cidade de Nínive, por exemplo, uma lista de reis assírios começa com “dezessete reis que viveram em tendas”, e o segundo nome é Adamu, possivelmente um título de realeza advindo de um ancestral famoso.

 

Elementos do Gênesis nas tabuletas

 

Os arqueólogos identificaram pelo menos seis elementos históricos do Gênesis em tabuletas traduzidas por peritos em paleografia:

 

  1. Criação e desobediência de um casal humano que perdeu o paraíso.
  2. A maldição que seguiu à desobediência, trazendo a morte aos habitantes da Terra.
  3. O início da família humana marcado por um fratricídio.
  4. A humanidade tornou-se má e foi destruída por um dilúvio.
  5. Quase todos pereceram, exceto alguns preservados pelos deuses.
  6. Uma confusão de idiomas que espalhou os homens pelo mundo.

 

Relatos em outras culturas

 

Além dos registros mesopotâmicos, outras culturas antigas também apresentam histórias com elementos similares aos relatos bíblicos. No Egito, por exemplo, há mitos que falam de um casal primordial que vivia em harmonia até que um ato de desobediência trouxe calamidades. Na Índia, textos védicos mencionam grandes inundações e figuras ancestrais que sobreviveram por intervenção divina. Essas narrativas, embora culturalmente distintas, mostram uma notável convergência nos temas de criação, queda e redenção.

 

Um debate contínuo

 

A questão sobre a existência histórica de Adão continua a ser um ponto de debate entre teólogos, historiadores e arqueólogos. Por um lado, as evidências textuais e arqueológicas oferecem suporte intrigante aos relatos bíblicos. Por outro, a interpretação dessas evidências pode variar significativamente, dependendo do ponto de vista científico ou religioso.

 

A busca pelo Adão histórico não é apenas uma investigação sobre um personagem bíblico, mas uma exploração das origens da humanidade e das narrativas que moldaram nossa história. A convergência de relatos em diferentes culturas sugere uma base comum, uma memória ancestral que sobreviveu através dos milênios. 

 

Seja Adão uma figura histórica ou simbólica, sua história continua a inspirar e intrigar, convidando-nos a refletir sobre nossas próprias origens e as verdades que compõem a experiência humana.

 

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