A História da Arqueologia Bíblica

Por <b>Rodrigo Silva</b>

Por Rodrigo Silva

Arqueólogo

Nós falamos muito sobre Arqueologia Bíblica, é um dos tópicos mais interessantes a serem desvendados, mas como ela começou? Quem deu início a esse processo? Quais foram os marcos na área? Vamos aprender isso ao longo do texto!

arqueologia
São nos campos de escavação arqueológica que se encontram reliquias e artefatos | Foto: Unsplash

Primeiros passos

 

Determinar o exato início da arqueologia bíblica é uma tarefa desafiadora. Desde os primeiros séculos da Era Cristã, indivíduos aventuravam-se na arte de desenterrar tesouros relacionados à história da Bíblia Sagrada. 

 

Contudo, seus métodos questionáveis, desprovidos de técnica formal e muitas vezes impulsionados por fervor eclesiástico, levantavam dúvidas sobre a credibilidade de suas descobertas.

 

Helena, mãe do imperador Constantino, foi uma dessas “pioneiras”, embarcando em uma jornada aos 78 anos para “redescobrir” os lugares por onde Jesus passou. No entanto, os relatos de sua viagem eram repletos de lendas, colocando em xeque a veracidade de seus achados, como o local de nascimento de Cristo em Belém e o da agonia no Monte das Oliveiras.

 

Tradições e lendas

 

Os textos de Eusébio de Cesareia, historiador oficial de Constantino, narram parte dessas escavações. Baseando-se em suas narrativas, uma tradição medieval conectou a descoberta dos lugares santos à presença de Helena em Jerusalém. 

 

Alegavam que uma revelação divina a conduziu ao Calvário, onde, ao remover entulho, as marcas da crucificação e a gruta do santo sepulcro emergiram. A identificação da verdadeira cruz de Cristo ocorreu quando uma mulher, ao tocar a terceira cruz, foi curada.

 

Mas claro, isso não passa de uma tradição medieval, por isso que a “ajuda” de Helena, pode ter também atrapalhado o processo. 

 

Pedra de Roseta

 

Somente no final do século XVIII, a arqueologia nas terras bíblicas adotou critérios mais rigorosos. Após a Campanha do Egito (1798-1799), uma derrota aparente de Napoleão, a descoberta de antiguidades durante a expedição desencadeou uma efervescência acadêmica em torno do Antigo Egito. 

 

A “Pedra de Roseta,” trilíngue em hieróglifo, demótico e grego, foi um achado significativo, transferido para o Museu Britânico, em Londres.

 

A interpretação desse artefato, por Jean-François Champollion, a partir do grego, revelou-se crucial. Esse marco histórico permitiu a decifração da antiga língua egípcia, proporcionando uma compreensão mais profunda do contexto histórico das Escrituras.

 

Corrida Arqueológica

 

O final do século XVIII testemunhou um despertar religioso na Europa e nos Estados Unidos. Com a prisão do papa Pio VI em 1798, estudiosos sentiram-se livres para pesquisar e pregar sem o risco de perseguição. Igrejas protestantes, impulsionadas pela atividade missionária, fundaram escolas e sociedades bíblicas.

 

Essa época coincidiu com a corrida arqueológica em busca do “ouro arqueológico” nas terras bíblicas. Entusiastas embarcaram nessa jornada, ansiosos por descobrir tesouros que iluminassem as Escrituras judaico-cristãs. Contudo, enfrentaram desafios como ladrões de sepulturas, comerciantes de antiguidades e conflitos armados, limitando as descobertas.

 

Explorando a Palestina

 

Entre as terras bíblicas, a região israelense, então chamada Palestina, foi o foco central. Jerusalém, reverenciada pelo islamismo, judaísmo e cristianismo, despertou o interesse de militares e peregrinos desde as cruzadas. O período pós-Idade Média viu uma abordagem mais científica, com relatórios de viagens contribuindo para a compreensão da topografia da região.

 

O explorador americano Edward Robinson, em 1838, inaugurou a pesquisa arqueológica na Palestina, identificando locais históricos e desenterrando estruturas cruciais. Organizações científicas, como o Palestine Exploration Fund (1865) e a American Palestine Exploration Society (1870), foram fundadas para aprofundar o conhecimento arqueológico da região.

 

Apesar dos desafios, esses pioneiros estabeleceram as bases para estudos arqueológicos posteriores. William Foxwell Albright, um dos maiores arqueólogos, defendeu a historicidade bíblica, deixando um legado duradouro. Apesar das limitações, a arqueologia bíblica continua a revelar tesouros que conectam o passado aos textos sagrados.

 

Tesouros do MAB

 

Graças a essas pesquisas e estudos conseguimos ter base o suficiente para nos aprofundarmos na área, a ponto de termos construído um museu inteiramente voltado para isso. 

 

O Museu de Arqueologia Bíblica, MAB, é o primeiro do tipo na América do Sul, e está localizado no UNASP, campus Engenheiro Coelho. O museu oferece uma experiência imersiva, conectando arqueologia e a Bíblia. 

 

Enquanto você não consegue visitar o museu, ou se visitou e quer levar um pedaço dessa experiência com você, baixe nosso ebook gratuito: Tesouros do MAB! São artefatos escolhidos a dedo que carregam histórias e ensinamentos preciosos!

 

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20 respostas

  1. A historia Biblica revelada arquiologicamente’ nos ajuda muito a relacionar ensinos é tradições, a nação de Israel continua no centro deste contesto historico’ obrigado por partilhar .

  2. Bom dia pastor Rodrigo adorei ler sobre Helena e tudo mais por esse aplicativo estou entendendo gratidão ao senhor Rodrigo que explica de maneira clara e objetiva Deus abençoe o senhor e toda sua família eu moro na França mais ore por mim que assim que sair meus documentos francês vou para o Brasil é vistar esse museu que não fica longe de casa moro em americana perto de campinas obrigado 🙏

  3. Sou josenilton Ramos Vieira da cidade de Itiúba Bahia sou estudante de a Bíblia comenta e acompanhante dos trabalhos do Dr. Rodrigo Silva .

  4. Obrigada Rodrigo por ter entrado na minha vida colocando Deus em primeiro lugar em todas as minhas decisões principalmente as espirituais. Obrigada pelos seus ensinamentos e por eles vou me rebatizar na Igreja Adventista. Eu já desci às águas em uma outra denominação e saí juntamente com meus filhos quando a conheci realmente.

  5. É maravilhoso, gratificante poder beber nessa fonte, que mais e mais nos leva e nos aproxima de Deus.
    Desejo que o nosso Deus maravilhoso continue a te abençoar, e prosperar todo o teu empenho em nos levar a conhecer mais de Deus.

  6. Guten Morgen Professor Rodrigo Silva. Sua sua aluna 👩‍🎓 no segundo curso da Bíblia comentada! Sou palestrante, em algumas igrejas aqui na Suíça 🇨🇭
    O senhor está me capacitando, em conhecimento bíblico , através deste magnífico trabalho do professor Rodrigo Silva. Vocês que estão aí no Brasil 🇧🇷 aproveite muito, este conhecimento para aprenderem e depois ensinarem uns aos outros irmãos. Na língua portuguesa. Aqui eu tenho que traduzir, para o alemão, italiano ou o espanhol. Este foi o dom de línguas que o Eterno me deu. Gratidão 🙏 vielen Dank 🙏
    Shalom 🙏⛄️🇧🇷🇨🇭

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