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Samaria e os Samaritanos

Por <b>Rodrigo Silva</b>

Por Rodrigo Silva

Arqueólogo

Samaria — já ouviu esse nome, certo? Se você cresceu ouvindo histórias bíblicas ou já leu o Novo Testamento, é provável que tenha topado com essa antiga província montanhosa, situada entre a Judeia e a Galileia. Mas há muito mais por trás de Samaria do que uma simples localização geográfica. Ela carrega uma narrativa fascinante — e, por vezes, conflituosa — sobre identidade, fé e pertencimento.

 

Hoje, a região onde ficava Samaria está dividida entre Israel e a Cisjordânia. E, acredite se quiser, ainda existem cerca de 700 samaritanos vivendo por lá — metade em Holon (Israel) e a outra metade em Nablus (Cisjordânia), próximo ao lendário Monte Gerizim.

Samaria no mapa bíblico e moderno

 

Na época de Jesus, Samaria era uma província localizada no alto de um monte, estrategicamente entre a Judeia (ao sul) e a Galileia (ao norte). Isso tornava inevitável que os judeus, ao viajarem de um ponto ao outro, tivessem que passar por Samaria — o que nem sempre era visto com bons olhos, considerando a rivalidade religiosa entre judeus e samaritanos.

 

Atualmente, a antiga Samaria ocupa uma região dividida entre o Estado de Israel e a Cisjordânia (território palestino). A cidade moderna de Nablus, por exemplo, está localizada na área onde ficava a Samaria bíblica.

 

Quem são os samaritanos?

 

Os samaritanos se autodenominam “Bnei Israel” — ou seja, filhos de Israel. Eles acreditam ser os verdadeiros descendentes dos antigos israelitas que habitaram a região de Samaria. Em contrapartida, não se consideram judeus e têm uma prática religiosa própria, o chamado samaritanismo.

 

Diferente dos judeus, eles:

 

  • Rejeitam a dinastia davídica
  • Não reconhecem Jerusalém como centro de adoração
  • Consideram o Monte Gerizim o lugar sagrado original
  • Seguem somente o Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia)

Além disso, os samaritanos acreditam que os judeus “se desviaram” da fé original quando retornaram do exílio na Babilônia e passaram a adaptar sua prática religiosa.

 

O Bom Samaritano

 

Talvez você já tenha escutado alguém dizer: “Fulano é um verdadeiro bom samaritano”, se referindo a uma pessoa generosa e altruísta. Esse uso figurado da palavra vem de uma das parábolas mais famosas de Jesus — a Parábola do Bom Samaritano, registrada em Lucas 10:30-37.

 

Na história, um homem é assaltado e deixado quase morto à beira da estrada. Um sacerdote e um levita (ambos judeus) passam por ele e não ajudam. Mas um samaritano — que, naquela época, era considerado “impuro” pelos judeus — para, cuida das feridas do homem e garante que ele seja tratado.

 

A lição? A verdadeira espiritualidade está no amor prático ao próximo, independentemente da origem, religião ou tradição.

 

Doutrina samaritana

 

A fé samaritana gira em torno de quatro pilares básicos:

 

  1. Um único Deus (o mesmo Deus de Israel)
  2. Um profeta — Moisés
  3. Um livro — o Pentateuco (versão samaritana)
  4. Um lugar sagrado — o Monte Gerizim

 

O Monte Gerizim, aliás, é o centro da vida espiritual dos samaritanos até hoje. É lá que acontecem as principais celebrações religiosas, inclusive o sacrifício de cordeiros na Páscoa samaritana.

 

Eles também utilizam o hebraico e o árabe no dia a dia, mas nas liturgias resgatam o antigo hebraico samaritano e aramaico, línguas faladas por seus ancestrais.

 

Duas versões da mesma história: samaritana vs. judaica

Versão Samaritana:

 

  • Eles sempre estiveram ali, na terra de Israel.
  • São os herdeiros legítimos da fé mosaica original.
  • Rejeitam as mudanças trazidas pelo retorno do exílio babilônico.
  • Consideram a religião judaica uma distorção das tradições antigas.
  • Seu templo verdadeiro foi (e ainda é) o Monte Gerizim, não Jerusalém.

 

Versão Judaica:

 

  • Os samaritanos são uma mistura de gentios e israelitas, feita após o exílio assírio (2 Reis 17:24).
  • Foram vistos como estrangeiros religiosos, chamados de Kuthim.
  • Sua fé é uma mistura sincrética e suas práticas foram modificadas ao longo do tempo.
  • Rejeitaram profetas e distorceram a Torá para se adequar à sua teologia.
  • São considerados “fora” do verdadeiro povo de Israel.

 

Vale lembrar que essas versões vêm de documentos antigos, muitas vezes parciais ou carregados de disputas religiosas e políticas da época.

 

Torá samaritana

 

Um ponto muito debatido é a diferença entre a Torá samaritana e a Torá judaica. Embora ambos os textos compartilhem a base dos cinco livros de Moisés, há variações importantes — especialmente em passagens que falam do local de adoração.

 

Curiosamente, muitos estudiosos apontam que a versão samaritana tem melhor fluidez narrativa e mais coerência em certas passagens. Mas, para os judeus, isso é visto como uma edição tardia e teologicamente motivada.

 

No fundo, essa diferença textual alimenta uma questão teológica central: quem está guardando a tradição original? Os samaritanos, que ficaram na terra? Ou os judeus, que voltaram do exílio?

 

Os samaritanos hoje

 

Com uma população pequena — cerca de 700 pessoas — os samaritanos vivem divididos entre dois mundos: Holon (Israel) e Nablus (Cisjordânia). Eles mantêm suas tradições milenares, realizam festas religiosas no Monte Gerizim, e seguem casando-se preferencialmente dentro do grupo.

 

Além da preservação religiosa, os samaritanos também enfrentam desafios modernos como:

 

  • Casamentos limitados e questões genéticas por endogamia
  • Pressões políticas e sociais no contexto Israel-Palestina
  • A luta pela preservação da identidade cultural e religiosa

 

Mesmo com todos esses obstáculos, os samaritanos continuam sendo um testemunho vivo de uma das tradições mais antigas da humanidade.

 

Curiosidades sobre os samaritanos

 

  • O Alcorão (livro sagrado do Islã) também menciona os samaritanos.
  • Existem duas versões do Pentateuco samaritano preservadas hoje.
  • A Páscoa samaritana ainda envolve sacrifícios de cordeiros, como no Antigo Testamento.
  • A comunidade samaritana mantém um sumo sacerdote, descendente direto de Arão (irmão de Moisés).
  • Eles têm um calendário próprio, diferente do hebraico e do gregoriano.

 

Samaria e os samaritanos nos lembram que a história nem sempre é contada por um só lado — e que versões divergentes podem coexistir por séculos. Ainda hoje, esse pequeno povo mantém viva uma chama antiga, feita de fé, rituais e resistência cultural.

 

Seja pela famosa parábola do Bom Samaritano ou pelas complexas disputas religiosas do passado, entender quem são os samaritanos é mergulhar num capítulo profundo — e muitas vezes esquecido — da herança bíblica.

 

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