O Salmo 72 registra uma oração pedindo a Deus que conceda ao rei sabedoria e justiça para governar o povo. Ele descreve um reino marcado por paz, prosperidade e cuidado com os necessitados. Embora tenha aplicação imediata ao reinado de Salomão, seu alcance vai além, apontando para o Reino perfeito do Messias.

Contexto e autoria
O título indica que o salmo é “de Salomão”, mas é possível que Davi o tenha escrito como oração para seu filho. Ele encerra o segundo livro dos Salmos (Salmos 42–72), o que explica a nota final no versículo 20: “Aqui acabam as orações de Davi, filho de Jessé.”
O pano de fundo é o ideal de um rei que governa de acordo com a vontade de Deus, trazendo benefícios espirituais e materiais ao povo.
Justiça para todos (v.1–4)
O salmista pede que Deus dê ao rei “os teus juízos” e “a tua justiça”. Isso mostra que a autoridade verdadeira vem de Deus e que o padrão de governo deve ser baseado na lei divina.
- O rei deve julgar com imparcialidade.
- Proteger os pobres e necessitados.
- Quebrar o poder do opressor.
O versículo 3 usa a imagem dos montes trazendo paz e dos outeiros produzindo justiça, reforçando a ideia de estabilidade e segurança para toda a nação.
Paz e prosperidade (v.5–7)
A duração do governo justo é descrita em termos poéticos: “enquanto durarem o sol e a lua, de geração em geração”.
- A presença do rei justo é comparada à chuva suave sobre a relva, que traz vida e renovação.
- Nos seus dias, o justo floresce e há abundância de paz.
Essa imagem mostra que um governo alinhado com Deus promove bem-estar duradouro.
Alcance universal do Reino (v.8–11)
O domínio do rei se estende “de mar a mar” e até “às extremidades da terra”. Todas as nações reconhecem sua autoridade e até mesmo os reis trazem presentes. Essa linguagem aponta para um reinado global, algo que não se cumpriu plenamente em Salomão, mas que se aplica profeticamente ao reinado de Cristo, que será reconhecido por todas as nações.
Compromisso com os necessitados (v.12–14)
O rei justo não ignora o clamor dos necessitados. Ele:
- Livra o aflito.
- Salva o que não tem ajuda.
- Tem compaixão do pobre.
- Liberta da violência.
O versículo 14 enfatiza que a vida de cada pessoa é preciosa aos seus olhos. Isso revela um governo que valoriza a dignidade humana.
Abundância e bênção (v.15–17)
O salmo descreve prosperidade: trigo nos montes, frutos abundantes, cidades florescendo.
O nome do rei permanece para sempre e todas as nações o chamam de bem-aventurado. Novamente, vemos aqui uma aplicação messiânica, pois apenas em Cristo essa promessa se cumpre plenamente.
Louvor final a Deus (v.18–20)
O salmo termina com adoração:
- Reconhecimento de que só Deus faz maravilhas.
- Desejo de que toda a terra seja cheia da sua glória.
- Encerramento das orações de Davi.
Isso mostra que todo governo justo e toda bênção vêm de Deus, e a glória final pertence a Ele.
Aplicação para hoje
O Salmo 72 nos lembra que:
- O padrão de liderança vem de Deus e se baseia na justiça.
- O cuidado com os necessitados é sinal de governo legítimo.
- A paz verdadeira está ligada à presença do Rei justo.
- A esperança cristã é que Cristo estabelecerá esse reino de forma plena e eterna.
Enquanto aguardamos o cumprimento total dessas promessas, podemos viver de forma a refletir o caráter do Reino: agindo com justiça, sendo agentes de paz e cuidando dos que sofrem.
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Uma resposta
Como sempre, tenho ficado maravilhada com os estudos que o professor Rodrigo Silva tem nos proporcionado.
Gostaria também de um estudo sobre o Sl 133.
Obrigada.
Que Deus continue abençoando o nosso professor rodrigo Silva