Profecia Clássica e Apocalíptica

Por <b>Rodrigo Silva</b>

Por Rodrigo Silva

Arqueólogo

Para entender a diferença entre profecia clássica e profecia apocalíptica, é fundamental mergulhar na história e nas características distintas desses estilos proféticos. A profecia clássica e a apocalíptica são abordagens literárias e teológicas únicas, e é essencial discernir suas particularidades. Vamos explorar esses elementos com maior profundidade.

profecia
A profecia Clássica e Apocalíptica diferem entre si | Imagem: Pexels

Origens da Profecia Apocalíptica

 

A profecia apocalíptica é um gênero literário e teológico que surgiu posteriormente no judaísmo antigo, provavelmente após o cativeiro na Babilônia. Esse movimento e estilo literário começaram a se desenvolver após os eventos históricos que impactaram profundamente a população judaica, especialmente durante as três incursões babilônicas. É importante observar que o termo “Apocalíptica” é uma designação moderna dada por teólogos para descrever esse estilo literário.

 

Raízes Anteriores ao Cativeiro

 

Embora as raízes da profecia apocalíptica possam ser traçadas antes do cativeiro babilônico, foi nesse período que esse movimento se consolidou. O cativeiro na Babilônia, que ocorreu após as incursões babilônicas nos anos 605 a.C., 595 a.C. e 587/586 a.C., resultou na deportação da população judaica. Como resultado, muitas tribos de Israel foram destruídas ou dispersas. O povo judeu que sobreviveu foi, a partir desse momento, amplamente identificado como judeu, e não mais pelas tribos às quais pertenciam.

 

Mudanças no Ofício Profético

 

Durante e após o cativeiro babilônico, o ofício profético passou por uma transformação significativa. Alguns elementos que distinguem a profecia apocalíptica da profecia clássica incluem:

 

1. Expressões Iniciais

 

Na profecia clássica, o profeta geralmente começa suas mensagens com expressões como “Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo”. Por outro lado, a apocalíptica frequentemente começa com “Vi e ouvi”, destacando a ênfase nas visões e revelações.

 

2. Foco nas Eras do Tempo

 

Enquanto a clássica frequentemente abordava eventos imediatos e situações presentes, a profecia apocalíptica desloca sua ênfase para eventos futuros, particularmente os relacionados ao fim dos tempos.

 

3. Uso de Simbolismo

A  apocalíptica é frequentemente caracterizada pelo uso de simbolismo, como animais que representam impérios, ventos simbolizando guerras e águas denotando povos. Em contraste, a profecia clássica tende a ser mais direta em suas declarações.

 

4. Intermediários:

Na apocalíptica, muitas vezes há um intermediário entre o profeta e Deus, como um anjo ou mensageiro celestial. Isso difere da profecia clássica, em que o profeta frequentemente recebia diretamente a mensagem de Deus.

 

Estrutura do Apocalipse

 

No Apocalipse, o livro final da Bíblia, escrito por João, encontramos um exemplo proeminente de profecia apocalíptica. O Apocalipse começa com a promessa da Nova Jerusalém e desdobra-se em grupos de sete visões, cada uma construindo um caminho em direção ao fim dos tempos. Essas visões abrangem desde os juízos divinos até a batalha entre o bem e o mal. São compostas por sete selos, sete trombetas, a mulher e o dragão, as duas bestas do apocalipse, os 144.000 vencedores e as sete pragas.

 

As visões apocalípticas também se caracterizam por uma ênfase na simbologia e frequentemente demandam interpretação. No Apocalipse de João, um anjo é frequentemente o mensageiro que traz as revelações ao profeta.

 

Gêneros Indispensáveis 

 

A distinção entre a profecia clássica e apocalíptica reside na origem, no estilo e na ênfase dos eventos. A profecia apocalíptica é mais simbólica, narrativamente linear, focada no futuro e muitas vezes demanda interpretação. 

 

Essa abordagem é evidente no livro do Apocalipse e em outros textos apocalípticos, e sua origem remonta ao período após o cativeiro babilônico. No entanto, ambas as formas proféticas são inestimáveis para compreender a mensagem e a narrativa presentes nas Escrituras.

 

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