Os Livros Proibidos da Bíblia

Por <b>Rodrigo Silva</b>

Por Rodrigo Silva

Arqueólogo

Nós tivemos a oportunidade conversar um pouco sobre Os Livros Proibidos da Bíblia, em nossa live no dia 27/11. Decidi também resumir alguns pontos dessa aula para que fique bem firme em sua memória. Aproveite, mas não esqueça de assistir a live para ter acesso ao conteúdo completo.

 

Começamos com a montagem do cânon da Bíblia Sagrada, um processo fascinante. A Bíblia protestante, por exemplo, compreende 66 livros, indo do Gênesis a Malaquias no Antigo Testamento e de Mateus ao Apocalipse no Novo Testamento. Mas como foram selecionados esses livros? Por que alguns foram excluídos? 

 

Diferenças  

 

Primeiro, vamos estabelecer uma nomenclatura básica. Existem três tipos principais de livros relacionados à Bíblia. Os canônicos são aqueles incorporados à Bíblia Sagrada, como Gênesis, Levítico, Josué, Juízes, entre outros até o Apocalipse. Depois, temos os apócrifos, os quais são considerados a mais pelos protestantes e deuterocanônicos pela nomenclatura católica. Esses foram adicionados posteriormente pela Igreja Católica, oficializados no Concílio de Trento.

 

Por outro lado, os pseudepígrafos são textos ou escritos falsamente atribuídos a alguém, como o caso do Livro de Enoque, erroneamente atribuído a Enoque. É um universo repleto de nuances e designações peculiares.

 

Aqui está algo intrigante: muitos livros inspirados por Deus não encontraram lugar na Bíblia Sagrada. Alguns exemplos são mencionados, como referências feitas por Paulo em Coríntios a passagens que não estão registradas em nenhum texto conhecido do Antigo Testamento.

 

Há menção de outros livros que se perderam ao longo da história, como o Livro dos Cânticos, que não é o mesmo que o Cântico dos Cânticos. Esses livros são citados nas Escrituras, mas não encontramos manuscritos ou cópias deles, deixando-os como tesouros perdidos da história antiga.

 

É interessante perceber que nem tudo que foi inspirado por Deus foi preservado para se tornar parte da Bíblia Sagrada. Isso desafia a noção de que todo profeta inspirado automaticamente se torna um autor canônico. Exemplos como João Batista, genuíno profeta de Deus, não têm livros atribuídos a ele na Bíblia.

 

Livros desconhecidos 

No Novo Testamento, também há referências a escritos desconhecidos. Paulo alude a cartas anteriores que escreveu, mencionando epístolas aos Coríntios que se perderam na história. Essas referências sugerem a existência de textos não incluídos no cânon bíblico.

 

Esses achados são intrigantes, levantando questões sobre a completude do cânon bíblico e os escritos perdidos que talvez um dia ressurjam para enriquecer nossa compreensão da história religiosa.

 

Sabemos que não existe um documento explícito que designe os limites precisos do cânon, mas ainda assim, existem indícios de que na época de Jesus já existia uma ideia canônica entre os judeus. Apesar de a palavra “cânon” ter matizes cristãs, eles possuíam uma ideia semelhante, expressa no hebraico como “livros que sujam os dedos”, referindo-se aos livros sagrados, e “livros que não sujam os dedos”, designando aqueles não inspirados por Deus.

 

É curioso notar como essa mentalidade ecoa até hoje. Por exemplo, na sinagoga, ao ler a Torá, o judeu utiliza uma mãozinha de prata para evitar o contato direto dos dedos com o texto sagrado, evidenciando o respeito aos livros considerados inspirados.

 

É essencial esvaziar a mente do conhecimento inútil para permitir a entrada de sabedoria e aprendizado significativos, assim como um celular cuja memória está cheia precisa ser aliviado para receber novas fotos.

 

Nos tempos de Jesus

 

Além disso, a exploração histórica revela que, na época de Jesus, o termo “Bíblia” não existia, sendo os textos chamados de “escrituras”. Dividiam-nos em três partes: a Lei, os Profetas e os Salmos, frequentemente referenciados por Jesus em seus ensinamentos.

 

O termo “Bíblia” surge posteriormente, originado do grego “biblion”, que significa um livro pequeno, e “Bíblia” seria o plural desses pequenos livros. No entanto, foram os cristãos que popularizaram esse termo, enquanto os judeus se referiam aos textos sagrados como “Escrituras”, divididos em Torá, Profetas e Escritos.

 

Escritos do Mar morto

Outro ponto surge, juntamente com a descoberta de novos escritos. O conhecimento derivado dos Manuscritos do Mar Morto é um dos pilares fundamentais para entendermos a história e a evolução da escrita e tradição judaico-cristã. Esses manuscritos apresentam detalhes que iluminam a compreensão da cultura, das crenças e da organização religiosa da época.

 

Nos manuscritos, encontramos uma passagem intrigante do livro de Jubileus, um texto apócrifo não considerado inspirado, sugerindo a existência de 22 livros sagrados. Paralelamente, os escritos do Mar Morto oferecem comentários apenas sobre livros reconhecidos como bíblicos, indicando que a comunidade que os produziu também tinha a ideia de livros sagrados.

 

Pseudepígrafos

Em tempos antigos, havia uma tradição oral significativa em Israel, especialmente em relação aos Profetas. Embora existissem livros escritos, nem todos tinham acesso a eles, e o ensinamento muitas vezes era transmitido oralmente de geração em geração. Essa tradição guardava resquícios de verdades ancestrais, mas não era totalmente segura. Nesse contexto, alguns judeus, particularmente os de fala grega, começaram a compilar essas tradições orais, resultando nos chamados pseudepígrafos.

 

Esses pseudepígrafos eram obras baseadas em tradições orais sobre os Profetas. Por exemplo, a história de Enoque, presente em tais escritos, não foi redigida pelo próprio Enoque, mas derivou-se de uma tradição oral. Curiosamente, encontramos referências a Enoque tanto no Novo Testamento, como no livro apócrifo atribuído a ele nos Manuscritos do Mar Morto, indicando a preservação de ensinamentos transmitidos oralmente.

 

No entanto, é crucial discernir: embora haja citações de livros não inspirados no Novo Testamento, isso não os qualifica como sagrados. Há também menções sobre o profeta Isaías, sugerindo que um possível livro com anotações suas foi perdido, mas essa referência não confere à obra o status de inspirada.

 

Este período intermediário entre o Antigo e o Novo Testamento viu o surgimento de pseudepígrafos, mas tanto judeus quanto cristãos não reconheceram esses livros como inspirados. Mesmo ao citar escritos não inspirados, autores inspirados pelo divino discerniam entre o que era verdadeiro e o que não era, não considerando toda a obra como fonte confiável.

 

Para conhecer todos os detalhes dos Livros Proibidos da Bíblia, assista a live completa no Youtube. 

 

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