Na antiguidade, os odres eram recipientes feitos de peles de animais, usados para guardar líquidos como água, vinho, azeite e leite. Eles eram muito práticos, especialmente em regiões desérticas, porque podiam ser transportados facilmente durante longas caminhadas.
A fabricação exigia habilidade:
- A pele do animal era retirada inteira, como se fosse uma luva.
- As extremidades (pernas e cabeça) eram costuradas, deixando apenas o pescoço aberto.
- O curtimento da pele era feito com casca de carvalho ou acácia, eliminando os pelos e tornando o material resistente.
- O pescoço servia como a boca do recipiente, sendo fechado com um cordão.
O tipo mais usado era o odre de cabra, por ser resistente e maleável. Curiosamente, a pele de porco jamais era utilizada pelos judeus, por ser considerada de animal imundo (Levítico 11).
Odres no cotidiano antigo
Esses recipientes eram comuns não apenas entre os árabes e hebreus, mas também em gregos, romanos, egípcios e persas. Cada cultura adaptava o processo, mas o uso era semelhante: guardar líquidos essenciais para o dia a dia.
- Na Arábia e Israel: usados em viagens pelo deserto.
- Na Pérsia: impermeabilizados com breu.
- Na Espanha e em Portugal: até hoje existem as “borrachas de vinho”, que lembram os odres antigos.
Mas havia um problema: com o tempo, o couro ressecava, rachava e os odres precisavam ser consertados. Mesmo reparados, já não tinham a mesma utilidade.
Contexto Bíblico
Esse objeto aparece várias vezes nas Escrituras, tanto em contextos práticos quanto simbólicos.
1. Odres velhos e rachados
Em Josué 9, os gibeonitas, tentando enganar Josué, trouxeram odres velhos, rasgados e remendados, para dar a impressão de que vinham de uma longa viagem. Isso mostra como o desgaste dos odres era visível e comprometia seu uso.
2. Odres e o vinho novo
No Novo Testamento, Jesus usa os odres como metáfora espiritual:
“Nem se deita vinho novo em odres velhos; do contrário, rompem-se os odres, entorna-se o vinho, e os odres se estragam. Mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam.” (Mateus 9:17)
Aqui, o vinho novo simboliza a nova vida e a nova aliança em Cristo, enquanto os odres velhos representam as estruturas religiosas antigas que não suportam a novidade do Evangelho.
3. O odre na fumaça
Em Salmo 119:83, o salmista diz:
“Já me assemelho a um odre na fumaça, contudo não me esqueço dos teus estatutos.”
A fumaça ressecava e deformava os odres pendurados, tornando-os frágeis. Essa imagem expressa o sofrimento humano diante das adversidades, mas também a perseverança na fé.
O simbolismo espiritual dos odres
Na Bíblia, os odres carregam profundas lições espirituais:
- Fragilidade humana: assim como os odres ressecam e se rompem, nós também somos frágeis diante do tempo e das provações.
- Necessidade de renovação: o vinho novo precisa de odres novos, lembrando que não podemos viver a nova vida em Cristo com uma mentalidade velha e rígida.
- Capacidade de conter bênçãos: os odres cheios de vinho ou azeite simbolizam abundância, alegria e consagração.
Reflexão para hoje
O ensino de Jesus sobre os odres continua atual. Muitas vezes tentamos viver as novidades de Deus com um coração endurecido, preso a velhos hábitos ou tradições. Mas o vinho novo — a graça e a vida do Espírito — exige odres novos, ou seja, corações renovados e maleáveis.
Assim como o couro precisa ser tratado e preparado, nós também precisamos ser transformados diariamente pela Palavra e pela ação do Espírito Santo, para que possamos receber e conservar a plenitude da vida que Deus quer derramar.
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