A história de Jó

Por <b>Rodrigo Silva</b>

Por Rodrigo Silva

Arqueólogo

A história de Jó é uma das histórias mais conhecidas e marcantes do Antigo Testamento, tendo em vista que o livro de Jó relata algo muito comum a todos nós, pois o livro compartilha uma história carregada de sofrimento, dificuldades e questionamentos. Podemos aprender com Jó ao observar sua história e o desfecho desse enredo, e esse será o intuito dessa matéria.

 

Assim como as outras narrativas bíblicas, a história de Jó tem muito a ensinar àqueles que estão dispostos a conhecer a Palavra de Deus. | Foto: Pixabay.

 

O início da história de Jó 

 

No livro de Jó, a história começa com Deus e Satanás discutindo sobre Jó. Deus destaca Jó por sua integridade e sua fidelidade, enfatizada pela afirmação de que ele “desviava-se do mal” (Jó 1:1), mas Satanás argumenta que Jó só é fiel porque Deus o abençoou com muitas riquezas e saúde. Então, Deus permite que Satanás teste a fidelidade de Jó, permitindo que ele cause aflições em sua vida. Como resultado, no decorrer da história, Jó perde todas as suas riquezas, sua saúde torna-se precária e se deteriora (Jó 2:7-8), além disso, Jó é afligido por problemas emocionais, e tem também que suportar a perda de seus filhos (Jó 1:18-19). Jó enfrentou a rejeição de seus amigos (Jó 19:13-19) e a crítica de seus inimigos (Jó 30:1-12).

 

Sabemos que Jó era um homem muito próspero, tinha sete filhos e três filhas e habitava a terra de Uz. O local exato onde essa terra se situava é incerto, mas a maioria dos estudiosos acredita que ela ficava a leste de Judá, possivelmente próxima ao deserto. No entanto, era uma região fértil para a criação de animais e a realização de atividades de agricultura. 

 

Alguns dos sintomas e doenças de Jó: 

 

A Bíblia descreve os sintomas pelos quais Jó foi acometido, mas não sabemos se ela apresenta todos os sintomas. Portanto, não é possível afirmar com precisão qual doença ele teve.

 

Algumas das aflições físicas sofridas por Jó destacadas na Bíblia são:

 

Tumores malignos (Jó 2.7), coceira e problemas de pele, (Jó 2.8), insônia (Jó 7.4), úlceras (Jó 7.5), feridas com crostas que cresciam umas em cima das outras (Jó 7.5), dores incessantes (Jó 16.6), perda de peso (Jó 16.8; 19.20), olheiras profundas de cansaço físico (Jó 16.16; 17.7), mau hálito (Jó 19.17), calafrios (Jó 21.6), dores nos ossos (Jó 30.17), escurecimento de manchas de feridas (Jó 30.28), e febre (Jó 30.30). Seja como for a ordem ou especificidade das suas doenças, o que sabemos é que Jó foi ferido com “feridas malignas desde a planta do pé ao alto da cabeça” (Jó 2:7).

 

As perdas de Jó: 

 

Com a permissão de Deus, Jó foi acometido com a perda de todo o seu gado, e seus servos foram mortos a fio de espada (Jó 1:13-17). Seu sofrimento aumentou quando os demais filhos, que estavam reunidos na casa de seu primogênito, morreram devido a um grande vento que soprou sobre a casa e a derrubou. Ao ver tamanha tragédia, Jó rasgou suas vestes, raspou sua cabeça, lançou-se sobre a terra e adorou a Deus. Foi nesse momento, diante de tanto sofrimento, que Jó rasgou suas vestes, raspou sua cabeça e proferiu as famosas palavras: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1:21), demonstrando assim sua devoção a Deus em meio a dor.

 

A mulher de Jó

 

Ao ver o marido imerso em tanto sofrimento, a mulher de Jó o aconselhou a apressar o fim inevitável e a amaldiçoar a Deus. Ela não tinha consciência de que a vida de Jó estava sendo preservada por Deus, e acreditava que aquelas provações eram um castigo divino. A resposta de Jó para sua mulher foi que ela estava falando como “qualquer doida”. O termo hebraico traduzido como “doida” possui um sentido de infidelidade e apostasia, ou seja, Jó estava dizendo que ela estava sendo infiel ao Deus que, apesar de ter derramado sobre eles o mal, também poderia derramar o bem. 

 

A vida confortável da mulher de Jó foi abalada quando seu esposo foi atingido por um intenso sofrimento. Na verdade, sendo sua companheira de vida, o sofrimento de Jó também foi o sofrimento daquela mulher. Antes disso, o texto bíblico não mencionou a reação da mulher de Jó. Contudo, esse relato indica que o sofrimento de Jó ainda não havia atingido seu ápice. Após perder seus filhos e bens materiais, Jó foi acometido de uma doença terrível, com feridas por todo o corpo. Foi então que a mulher de Jó apareceu e não agiu com sabedoria, sugerindo a Jó agir exatamente como Satanás esperava que ele fizesse (Jó 2:5).

 

Os amigos de Jó

 

A situação de Jó era tão difícil que, ao avistá-lo de longe, seus amigos não o reconheceram. Compadecidos, eles choraram, rasgaram seus mantos e jogaram pó sobre a cabeça. Ficaram com ele durante sete dias e sete noites em silêncio, pois o sofrimento era grande. Quando Jó quebrou o silêncio, iniciou-se uma longa e formal discussão entre ele e seus amigos. Nessa discussão, eles estabeleceram uma sequência de discursos com o raciocínio de causa e efeito, acusando Jó de ser o responsável por todo o seu sofrimento. Os amigos de Jó apontaram que seus sofrimentos eram causados pelos seus pecados, e o exortaram a se arrepender, mas Eliú, um jovem hebreu, destacou o papel do sofrimento, pois o homem não consegue compreender tudo o que Deus faz. Ele enfatizou que a sabedoria humana é insuficiente diante da sabedoria divina, e exortou Jó.

 

A fé de Jó

 

Apesar de todas as provações, Jó não desistiu de sua fé em Deus. Ele continuou a servi-lo com todo o seu coração e a confiar em Sua bondade. Jó disse: “Ainda que me mate, em Ti esperarei” (Jó 13:15). Em outro episódio, Jó também declarou: Pois eu sei que o meu defensor vive; no fim, ele virá me defender aqui na terra. Mesmo que a minha pele seja toda comida pela doença, ainda neste corpo, eu verei a Deus.

 

A fé de Jó é um exemplo para todos nós. Quando somos testados, devemos confiar em Deus e esperar que Ele cuide de nós. Devemos lembrar que Deus é bom e que Ele tem um plano para nossas vidas. Não importa o que aconteça, Deus sempre age com sabedoria e amor, em tudo que permite e faz. 

 

Deus conversa com Jó

 

Após a intensa discussão entre Jó e seus amigos, o Senhor, de dentro de um redemoinho, se dirigiu a Jó. Ao invés de responder às questões de Jó, Deus lhe fez perguntas retóricas, que mostraram a Jó a profundidade de Sua sabedoria e soberania. Jó então compreendeu que confiar em Deus era suficiente, pois Ele é o Senhor de tudo e não precisa de conselhos. Tudo o que Ele faz é de acordo com Sua vontade soberana, e nenhum de Seus planos pode ser frustrado (Jó 42:2). Além disso, Deus repreendeu os três amigos de Jó, dizendo que eles agiram de forma insensata. Então, o Senhor ordenou que eles fossem encontrar Jó e oferecessem holocausto, e que pela oração de Jó por eles, eles seriam poupados do castigo pela insensibilidade e dureza que demonstraram (Jó 42:7-9).

 

O final da história de Jó

 

A vida de Jó foi marcada por prejuízos, mas ele não permitiu que eles ficassem. Ele não se queixou, e não desistiu de Deus, apesar de desejar o fim da vida. Ele não queria somente bens e família, mas queria a presença de Deus, não importando as circunstâncias em que estivesse. A história de Jó nos ensina que, mesmo quando enfrentamos dificuldades e desafios, podemos ter a certeza de que Deus não está alheio a dor, e que, mesmo sem respostas exatas aos nossos questionamentos, Ele verdadeiramente estará por perto e há de recompensar a nossa fé e perseverança, seja nessa vida, como foi com Jó, seja na eternidade.

 

Hebreus 11:6 – “Sem fé é impossível agradar a Deus; pois é necessário que aquele que se aproxima dele creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam.”

 

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