Você já ouviu falar do centurião romano nos Evangelhos? A imagem desse militar aparece em momentos bem marcantes da vida de Jesus — e não à toa. Por trás de sua armadura, ele carregava autoridade, disciplina e, em algumas situações, uma fé admirável.
Neste post, vamos entender melhor quem eram os centuriões, como atuavam no Império Romano e por que suas aparições na Bíblia são tão significativas.

O que era um centurião no exército romano?
A palavra “centurião” vem do latim centurio, que significa literalmente “aquele que comanda cem”. Ele era o sexto nível na hierarquia militar de uma legião romana — uma legião era formada por cerca de 6.000 soldados, divididos em unidades chamadas “centúrias”.
Apesar do nome, cada centurião liderava entre 60 a 100 soldados, dependendo da época e da necessidade militar.
Principais funções do centurião:
- Manter a ordem e disciplina entre os legionários
- Garantir o cumprimento das leis e pagamento de impostos nas províncias
- Atuar com autoridade judicial e administrativa em locais distantes de Roma
- Instruir e treinar os soldados nas formações e táticas de guerra
- Liderar tropas em combate, muitas vezes em territórios hostis e sem reforço imediato
Os centuriões eram escolhidos pela experiência em batalha, coragem e lealdade. Eles lideravam pelo exemplo e muitos morriam junto com seus homens, defendendo o estandarte da legião.
O centurião e seus encontros com Jesus
A figura do centurião não aparece apenas como um símbolo de poder militar. Nos Evangelhos, ele protagoniza dois momentos impactantes que revelam como até mesmo um soldado estrangeiro podia reconhecer a autoridade e a divindade de Jesus.
1. A cura do servo do centurião (Mateus 8:5-13; Lucas 7:2-10)
Esse centurião vivia em Cafarnaum, e tinha um servo gravemente doente. Em vez de exigir algo como um oficial romano poderia fazer, ele se aproxima com humildade e fé.
Ele diz:
“Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu teto, mas dize uma só palavra, e o meu servo será curado.” (Mateus 8:8)
Jesus se surpreende com essa declaração e afirma que não havia encontrado tamanha fé nem mesmo entre os israelitas. O servo foi curado na mesma hora.
Esse episódio se destaca por mostrar que a fé verdadeira pode surgir mesmo fora do povo de Israel, em alguém considerado “pagão” pelos padrões religiosos da época.
2. O centurião aos pés da cruz (Mateus 27:54; Marcos 15:39; Lucas 23:47)
Outro momento comovente é quando, após a morte de Jesus na cruz, um centurião romano testemunha tudo e declara:
“Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus.”
Na versão de Lucas, ele diz:
“Certamente este homem era justo.” (Lucas 23:47)
A declaração não vem de um discípulo ou fariseu, mas de um soldado romano acostumado à violência e ao dever militar. Mesmo ali, diante de um homem crucificado, ele reconhece algo divino.
O contraste entre espada e fé
O contraste entre a figura militar do centurião e sua abertura para o céu é uma das coisas mais ricas desses relatos. Longe de ser apenas um soldado frio e obediente, o centurião da Bíblia aparece como alguém capaz de discernir autoridade espiritual, de manifestar empatia e até de buscar cura para os seus.
Não é difícil entender por que Jesus se impressionou. Em um sistema tão hierárquico como o Império Romano, reconhecer a autoridade de alguém como Jesus — que não tinha armas nem títulos — era algo grandioso.
O que podemos aprender com os centuriões dos Evangelhos?
Esses breves encontros nos deixam ensinamentos:
- Humildade abre caminho para o milagre
Mesmo sendo um homem de autoridade, o centurião não impôs sua posição diante de Jesus. Ele se colocou como alguém carente da graça divina. - A fé pode surgir onde menos se espera
A fé não está restrita a um grupo religioso específico. Jesus reconheceu fé verdadeira em um oficial romano, algo surpreendente para os padrões daquela época. - Testemunhar gera transformação
Ao ver a crucificação de Jesus, o centurião foi impactado e reconheceu a sua justiça e divindade. Um encontro sincero com Cristo nunca passa despercebido.
Curiosidades sobre os centuriões romanos
- Um centurião podia ganhar mais de 10 vezes o salário de um legionário comum.
- A palavra “centurião” só aparece no Novo Testamento, especialmente nos Evangelhos e em Atos.
- A obediência cega a ordens romanas era tão séria que desertores podiam ser executados sem julgamento.
Continue estudando com A Bíblia Comentada. Clique aqui e saiba mais.






7 respostas
Muito bom e profundo
Eu tenho um desejo imensamente de aprender ler e entender a Bíblia.
Interessante, muito bom aprender mais sobre essas histórias bíblicas.
Rodrigo, agradeço a Deus por Ele ter realizado essa obra grandiosa em sua vida. Ela tem sido uma bênção não apenas para mim, mas também para muitas outras pessoas. Sou um adventista inativo quanto à participação formal na comunidade, mas meu coração permanece firme na esperança do advento. Que Deus continue abençoando e guiando você. “Vida de Jesus: A tudo respondia: “Está escrito.” Mat. 4:4. “O temor do Senhor é a sabedoria, e o aparta-se do mal é o entendimento.” Jó 28:28.”
Fico radiante com tanto aprendizado, vindo de vc pastor.
Quero lhe dizer que não tenho religião.
Mais gosto de mais do seu modo de ensinar a Bíblia, fico cheia de fé.
Graças a ti !!!
Gosto muito do Rodrigo Silva
Me emocionei ao ler.. Que lições pra nossa vida.
Vou preparar um sermão sobre o centurião.