Antes do surgimento do livro como o conhecemos (o códice), o rolo era a principal forma de registrar textos importantes — tanto administrativos quanto religiosos. Esses rolos eram feitos de papiro, derivado de uma planta do Egito, ou de pergaminho, feito com peles de animais cuidadosamente tratadas.
Um rolo podia ter vários metros de comprimento, enrolado em duas varas de madeira. Para ler, a pessoa desenrolava com uma mão e enrolava com a outra. Era um processo quase cerimonial, especialmente quando o texto era sagrado.
Nas sinagogas judaicas, os rolos das Escrituras Sagradas — a Torá (os cinco primeiros livros de Moisés) e os Profetas — eram guardados com grande reverência. Cada palavra era copiada à mão por escribas, com extremo cuidado, pois acreditava-se que cada letra era inspirada por Deus.

O rolo e a leitura pública nas sinagogas
No contexto judaico, a leitura das Escrituras fazia parte do culto semanal. Aos sábados, a comunidade se reunia na sinagoga, e após orações e cânticos, lia-se uma porção da Torá e, em seguida, um trecho dos Profetas (Haftarah).
Essas leituras eram feitas em voz alta, para que todos pudessem ouvir e aprender. Era comum que um membro respeitado da comunidade fosse convidado a fazer a leitura e oferecer uma breve explicação ou comentário.
Foi exatamente isso que aconteceu com Jesus, como narra o Evangelho de Lucas (4:16-30).
Jesus e a leitura de Isaías
Vamos relembrar o episódio:
“Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. Então lhe deram o livro (rolo) do profeta Isaías; e, abrindo-o, achou o lugar onde estava escrito:
‘O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor.’”
(Lucas 4:16-19)
Após ler esse trecho, Jesus enrolou o rolo, devolveu-o ao assistente e sentou-se — a postura típica de quem ia ensinar. Então Ele declarou:
“Hoje se cumpriu esta Escritura que acabais de ouvir.” (Lucas 4:21)
Como eram feitos e preservados os rolos sagrados
Os escribas (ou soferim) eram responsáveis por copiar os textos sagrados letra por letra. Cada rolo da Torá, por exemplo, era escrito à mão, com tinta especial e sobre peles de cordeiros costuradas entre si.
Algumas curiosidades interessantes:
- Nenhuma letra podia ser escrita de memória. O escriba devia olhar cada palavra no modelo original antes de copiá-la.
- Se um erro fosse cometido, o rolo inteiro poderia ser descartado.
- Os rolos eram guardados em armários sagrados (a Aron Kodesh) e cobertos por tecidos finos.
Esses detalhes mostram o quanto as Escrituras eram valorizadas e tratadas com santidade.
Do rolo ao livro
Com o tempo, o formato do livro evoluiu. O códice, uma coleção de folhas dobradas e costuradas (semelhante ao livro moderno), começou a ser usado por volta do século I d.C. — justamente no período em que o cristianismo se expandia.
Curiosamente, os primeiros cristãos adotaram rapidamente o códice para copiar os Evangelhos e as cartas apostólicas, talvez por praticidade e simbolismo. Enquanto o rolo era linear (lido de ponta a ponta), o códice permitia acesso rápido a diferentes passagens — ideal para o estudo e a pregação.
Essa transição também marcou o início de uma nova era na preservação da Palavra de Deus, tornando o acesso às Escrituras mais fácil e difundido.
Hoje, quando abrimos uma Bíblia impressa ou digital, talvez não percebamos o quanto essa facilidade é resultado de séculos de cuidado, fé e dedicação. A transição dos rolos para os livros garantiu que a mensagem eterna de Deus atravessasse gerações e chegasse até nós.
Devemos ser gratos pela benção que é ter a Palavra de Deus em nossas mãos de forma acessível e estudá-la com dedicação e apreço.
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6 respostas
Deus seja louvado por tudo, muito bom, saber cada detalhe de Deus. Deus e soberano e maravilhoso. E a razão de darmos continuidade à palavra divina.
Muito interessante, a palavra deve ser passada
Muito obrigado
E otmo estuda desse geito.
Devemos ter mais apreço pelas escrituras e tratá-la com a santidade que os antigos a tratavam…
Devemos ter mais apreço pelas escrituras e tratá-la com a santidade que os antigos a tratavam…